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Movimentos de rebeldia: um estudo desconstrutivo-discursivo da mulher Chicana/indígena
Vania Maria Lescano Guerra, João Paulo Ferreira Tinoco Machado

Última alteração: 02-01-2021

Resumo


É rebeldia todo aquele que desconfia de um poder estabelecido.  E quando essa rebeldia se trata da mulher Chicana/indígena é um ato revolucionário. Em tempos nos quais temos a sensação de um movimento de rebeldia ainda não parido, o intelectual é afetado pela sensibilidade de um grito sufocado, estimulando-o a escrever, falar a partir de relatos vivenciados pela mulher Chicana/indígena. As discussões que aqui emergem fazem parte dos estudos de doutoramento que estão sendo desenvolvidos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Três Lagoas, orientado pela professora Dra. Vânia Lescano Guerra. Cujo objetivo geral é estudar o processo de constituição identitária da mulher Chicana, a partir da obra Borderlands/La frontera: the new mestiza (2012) escrita por Gloria Anzaldúa. Para esta apresentação, propomo-nos estudar as possíveis representações de identidade, com o intuito de rastrear os efeitos de sentido de movimentos de rebeldia que a mulher Chicana/indígena apreende que, em seguida, anseia deslocar discursos e poderes prevalecentes. Para isso, é necessário a crítica do estudo das relações de saber/poder (FOUCAULT, 2014), via Análise do Discurso. Buscamos também noções sobre o Lugar Geoistórico (NOLASCO, 2013), sob a visão discursivo-desconstrutiva (GUERRA, 2015, 2017), para rastrear como a prática de rebeldia é engendrada por um movimento insurgente e engajado. Nossa hipótese é a de que a escrita pode ser examinada como um palimpsesto em que marcas se sobrepõem a outras e que não conseguem ser exauridas. Nas análises pudemos observar que a escrit(ur)a está permeada de práticas de rebeldia caracterizados por uma violência simbólica e letal advinda do “homem branco”. O que pudemos examinar na escrit(ur)a analisada é que há marcas “visíveis” de controle e silenciamentos, que fomentam um movimento de rebeldia, na busca de uma sociedade mais justa em que a mulher Chicana/indígena escolhe a experienciar perspectivas não moldadas pela dominação.

Palavras-chave


identidade; Glória Anzaldúa;indígena.

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