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E as crianças indígenas: onde estão?
Silvia Maria Alves de Almeida, Patricia de Moraes Lima, Patricia Moraes De Lima

Última alteração: 02-01-2021

Resumo


A escrita deste texto, parte de uma pesquisa etnográfica com crianças indígenas Kaingang, a qual tece algumas reflexões acerca da produção de conhecimentos sobre os modos de ser e viver das crianças indígenas, na aldeia e na cidade. O objetivo aqui, está em problematizar, interrogar o próprio pensamento e as práticas sociais colonizadoras, que silenciam e tornam “invisíveis” as crianças indígenas em pesquisas, nas diversas áreas de conhecimento e em diferentes instituições, que nos remete a questão: onde estão as crianças indígenas? A pesquisa aconteceu no oeste de Santa Catarina, numa aldeia indígena da etnia Kaingang, entre os anos de 2017 a 2019. Diante da colonialidade do poder, de referenciais eurocêntricos e de projetos universais da modernidade globalizada, institui-se modos de pensar, viver e educar as crianças que se colocam como “verdades”, os quais destituem os saberes indígenas sobre a vida. Os povos indígenas re-existem dentre as narrativas, prescrições, saberes que os colocam numa outra relação, o que incide em outros modos de olhar e pensar as crianças.


Palavras-chave


Crianças; Kaingang; Etnografia; Colonialidade do poder; Eurocêntrico.

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