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As raízes do confinamento: a violência contra os Kaiowá e Guarani e a crise atual
antonio Hilario aguilera urquiza

Última alteração: 02-01-2021

Resumo


O presente artigo objetivou desenvolver breve reflexão a respeito de como os povos indígenas brasileiros têm passado por inúmeros processos de violência sistêmica, marcada especialmente pela perda dos territórios tradicionais e as tentativas, por parte do Estado de integração na ordem nacional, com o total desrespeito por suas culturas, línguas e visão de mundo, o que chamamos de epistemicidio. Nesta corrente histórica de violências, muitos sucumbiram através das guerras, submissão à escravidão e, sobretudo, vítimas das doenças dos europeus. Poucos resistiram e seguem vivendo sobre o espectro da violência, muitas das vezes, impulsionada pelo próprio Estado e órgãos que deveriam ser de proteção. No contexto atual, a pandemia tem revelado mais ainda, a face cruel da violência, especialmente contra os povos indígenas. Pretendeu-se ainda, discutir o descaso do Estado brasileiro com os direitos humanos dessas populações mais vulneráveis. Em termos metodológicos, a pesquisa é de caráter qualitativa, privilegiando alguns autores, em especial os pós-coloniais (Santos, 2009; Quijano; 2005; Grosfoguel 2007), os quais permitem discussões e olhares investigativos outros, para compreender esta realidade ambivalente dos indígenas, assim como foram utilizadas pesquisas acerca do avanço do novo coronavírus entre etnias indígenas brasileiras, além de dados secundários de depoimentos em sites de ONGs e institutos especializados no assunto. A pesquisa nos mostra que a realidade da pandemia escancarou o quanto a sociedade brasileira é desigual em vários níveis e diferentes contextos, e como são tratadas deficientemente as questões de saúde de grupos vulneráveis, aumentando ainda mais, a sequência histórica de violências contra os indígenas. Evidenciou, ainda, que não há políticas de saúde adequadas e eficazes voltadas aos grupos vulneráveis que são os que mais sofrem perdas com esta crise sanitária e humanitária, assim como outras políticas de violência contra os direitos indígenas, garantidos na Constituição Federal, como a demarcação de seus territórios tradicionais.

Palavras-chave


Povos indígenas; Violência; Pandemia; Direitos humanos; Território;

Referências


AGUILERA URQUIZA, A. H; PRADO, José H. O impacto do processo de territorialização dos Kaiowá e Guarani no sul de Mato Grosso do Sul. Campo Grande: Tellus, ano 15, n. 29, p. 49-71, jul./dez. 2015.

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