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Entre a História e a Literatura: a construção identitária latino-americana em “Cem anos de solidão”
Mariana Ribeiro de Castro

Última alteração: 02-01-2021

Resumo


O presente artigo aborda o tema da construção da identidade latino-americana no romance “Cem anos de solidão” (1967), escrito por Gabriel García Márquez. Em tal estudo, o romance é analisado enquanto espaço de representação histórica, por meio de metáforas que ilustram aspectos identitários da história da Colômbia; fundamentando-se na escola literária do realismo mágico, o autor utiliza-se da mesclagem de situações cotidianas com elementos insólitos para a construção de eventos que denunciam os problemas sociopolíticos locais, os conflitos de terras, a violência imposta pelo poder opressor, o sofrimento e a matança dos trabalhadores. Objetiva-se, por tal análise, evidenciar a aproximação existente entre História e Literatura, cunhando a possibilidade de utilizar fontes literárias como documentos relevantes para historiadores e como relatos expressivos do contexto histórico, político e cultural de uma realidade social. Para isso, o artigo baseia-se numa pesquisa bibliográfica acerca da conjuntura sociopolítica da América Latina em meados do século XX; paralelamente, analisa a estrutura narrativa do romance de García Márquez enquanto reflexo direto de tal conjuntura, relacionando as estruturas ficcionais da obra às características socioeconômicas marcantes dessa realidade.


Palavras-chave


Cem anos de solidão; Ficção; Gabriel García Márquez; História; Identidade cultural

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