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O Corpo e a Geopolítica da Tecnocolonização, Tecnocolonialidade do Corpo na Arte, na Cultura e na Educação! (2ª Parte)
Marcos Antônio Bessa-Oliveira

Última alteração: 02-01-2021

Resumo


O “conceito” de tecnocolonialidade (BESSA-OLIVEIRA, 2020) vem sendo “definido” epistemologicamente em partes porque a reflexão tem como premissa uma discussão maior que contempla o corpo na sua totalidade tecnológica contemporânea que também considera entendimentos diferentes da e sobre a tecnologia. A primeira ideia da formulação epistêmica sobre a tecnocolonialidade acerca-se da condição geopolítica da tecnologia que nos foi colocada como premissa fundamental da existência atual do corpo humano. O corpo não tecnológico é um corpo que não existe na atualidade. O corpo “tecno(lógico)” (RODRIGUES; BESSA-OLIVEIRA, 2019) seria o corpo que usa da tecnologia como artifício (de ser humano) artístico de sobrevida desde que temos o corpo interpretado pela ótica cristã ocidental europeia. Enquanto o corpo consciente da tecnocolonialidade é o corpo que reconhece o papel de colonização/colonialidade contemporâneo imposto aos corpos pela exigência da utilização da tecnologia como único modo de sobrevivência. Entretanto, neste caso, o corpo que não se quer tecnológico, também não se quer colonizado pela tecnologia (tecno(lógico)), ao certo não vai se permitir sobreviver apenas se submisso à tecnocolonialidade, portanto, é um corpo consciente da geopolítica imposta, especialmente, pelo projeto de universalização técnica e por isso não submete-se à existência apenas se partícipe da tecnologia. Considerando isso e levanto em conta também a primeira parte já exposta em que tive que evidenciar as políticas “econômica da morte” e do “ódio” (BESSA-OLIVEIRA, 2020a) do atual Governo Federal que destratam a pandemia, esta segunda parte abordará diretamente a tecnocolonialidade no corpo da arte na contemporaneidade como artifício de colonização. Para subsidiar esta construção epistemológica me valerei dos debates pós-modernos (contemporâneos) acerca dos corpos artísticos tecnológicos, que compreendem o corpo necessariamente vinculado à tecnologia para a produção, que compõem corpos “andrógenos”, “tecnológicos”, “transumanos” (BRETON, 2015), “corpomídia” (GREINER; KATZ, 2005), entre outros, para autoconstrução/autorreconhecimento ou construções/reconhecimentos em contextos diversos; usarei também das discussões modernas que classificaram racial/étnico/socialmente os corpos não europeus. Ancorando essas abordagens estará uma episteme descolonial pela perspectiva crítica biogeográfica fronteiriça para desvincular corpo e tecnologia como possibilidade de convivência entre as diferenças coloniais na contemporaneidade.

Palavras-chave


Corpo; Arte; Educação; Tecnocolonialidade; Geopolíticas.

Referências


BESSA-OLIVEIRA, Marcos Antônio. O Corpo e a Geopolítica da Tecnocolonização, Tecnocolonialidade do Corpo na Arte, na Cultura e na Educação! (1ª Parte). Artigo apresentado no II Congresso Internacional Online de Estudos sobre Culturas, na modalidade online, 2020. Foz do Iguaçu, PR, Online, 22 a 26 de junho, p. 1-21, 2020. (Texto acervo do autor).

 

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