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Deslocamento na fronteira: possibilidades e limites de construções identitárias
Maria Cristina Lobregat

Última alteração: 08-05-2019

Resumo


Este artigo tenciona refletir sobre a construção da identidade dos brasileiros, conhecidos como “brasiguaios”, que se deslocaram para o Paraguai há mais de três décadas e que, na atualidade, seguem o movimento de retorno. No mesmo caminho, será feita a discussão sobre as memórias individuais e as coletivas que marcam o conflito por terra, intensificado em 2008 e iniciado ainda nos anos de 1980, diante de duas mudanças políticas que envolveram os dois países (ditadura militar e governo democrático), colocando em reflexão o lugar político do Estado Nação. Para contextualizar os acontecimentos serão chamados dois nomes de pesquisadores como Lindomar Albuquerque e Celso Amorim Salim, que se dedicaram às temáticas de migração e imigração na fronteira Brasil/Paraguai e alinhavaram o contexto histórico dos fatos. A abordagem tem como objetivo pensar a construção da memória como representação a partir dos registros de textos (notícias em jornais locais e nacionais) que procuram interpretar, de um modo singular, os acontecimentos e marcar a construção de identidade dos brasileiros de forma significativa nos contextos de memória coletiva. No almejo da conclusão, é possível sinalizar uma disputa étnica em torno de um conflito por terra, sendo a dialética entre memoria individual e coletiva um dos pontos mais importantes para a fabricação de sentidos dos textos jornalísticos e no imaginário fronteiriço.


Palavras-chave


brasiguaios; deslocamento; Estado Nação; fronteira; memória coletiva

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