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Da dor parasitária à aniquilação melancólica: o murmúrio de Eros em "O travesseiro de penas", de Horacio Quiroga
Letícia Simões Velloso Schuler, Matheus Pereira de Freitas

Última alteração: 23-06-2020

Resumo


Essa proposta de trabalho se dispõe a lançar um olhar sobre o afeto da melancolia na tentativa de apreender suas reverberações em um texto do gênero literário fantástico, de modo a compreender de que maneira eles se complementam nas linhas da narrativa. Essa temática melancólica permeia uma das obras do escritor uruguaio Horacio Quiroga, O travesseiro de penas, ao apresentar os recém-casados Alicia e Jordán, e um pouco da rotina de seus dias juntos. Mas, logo nas primeiras linhas, o leitor percebe que, o sentimento de frustração e a sensação de perda, vão desencadear uma série de comportamentos, vindos especificamente de Alicia, que irão revelar aquilo que é do campo da subjetividade, aquilo que habita nosso inconsciente. É a partir desses rastros e indicativos deixados pela personagem que iremos tentar traçar uma reflexão em torno desse eu que se encontra esfacelado, em ruínas, diante da perda daquele objeto sobre o qual tanto afeto era derramado. A composição do texto também revela, em suas últimas linhas, o elemento fantástico que, além de explicar o desfecho da personagem, carrega em si, uma simbologia e um horror. Retrata um imaginário absurdo, capaz de nos causar uma certa estranheza e de nos desestabilizar. De forma a embasar nossa discussão, utilizaremos como aporte teórico os contrapontos da psicanálise desenvolvidos por Freud (1915), Edler (2018), Roas (2014) e Todorov (1975), que se debruçam sobre os temas da melancolia e da literatura fantástica.


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